segunda-feira, 15 de junho de 2015

Na boca



Quando ela me bota na boca e me beija
Nasce inevitavelmente um brilho no olhar.
Ainda que tímido eu esteja os sentidos parecem acordar.

Quando ela me bota na boca e me lambe
Pareço ter recebido na cabeça
Uma explosão de nebulosas a gerar estrelas

Quando ela me bota na boca e me suga
Fico congelado e irredutivelmente entregue
Pareço ser um escravo. Sou tudo que "não se deve"!

Quando ela me bota na boca e me engole
Sou tetraplégico, paralítico, sou demente
Mover-se é uma tortura e respiro sorridente.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

O que tem para conversar?



Você viu naquele blog, que os impostos aumentaram?
No site do Jornal escracharam a corrupção.
Aquela bbb agora está mais magra...
O que tem pra gente conversar?

Ninguém leu meu poema;
Todo mundo riu daquele vídeo;
E aquele cara chato curtiu a sua foto
O que tem pra gente conversar?

Houveram vários comentários...
Aquela menina vai ser mãe.
O Junior me exclui do face!
O que tem pra gente conversar?

Todos cantam aquela música ridícula.
E tem agora o quadradinho de 12.
Samuel ri do sangue no chão...
O que tem pra gente conversar?




quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

O suicida!



Ele disse que não era nada! Que talvez fosse apenas má digestão.
Ele estava à alguns dias em casa. Não saia nem por um tostão.
Ele pensa que ninguém o olha. Sente que é um submarino fora do radar.
E pensando nisso ele chora. Quer a vida seja mais do está.

Você precisa falar comigo
Você precisa falar com alguém
Você precisa ver os seus amigos
Você precisa se importar com alguém.

Ele esquece que à vida no outro! Que se amar é também se entregar.
Ele vive nessa paranoia de que todo mundo vive em bem estar.
Ele não sabe de uma notícia. Eu também não vejo mais TV.
E esse isolamento só lhe prejudica. O mundo está ai pra gente vê.

Eu preciso falar contigo.
Eu preciso falar com alguém
Eu preciso ver os meus amigos
Eu preciso me importar com alguém.


quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

O choro da criança



Que esse desespero deságue nas minhas lágrimas.
Que se vá minha angustia a cada palavra dita nesse momento.
Que os ventos, sejam a favor ou contra, só aliviem o calor da minha alma.
Que eu mude acima de tudo, pra que tudo mude junto.
Que eu aprenda a parar de sofrer desnecessariamente
Que eu aprenda a perdoar, pois a magoa tá acabando com a minha paz.
Que eu veja que o amanhã é só o amanhã.
Que a criança que habita em mim cresça sem perder a liberdade de sonhar
Que eu nunca deixe de acreditar que essas lagrimas me teletransportarão para lágrimas passadas e que essas mesmas me façam lembrar das primeiras para que as próximas sejam mais confortantes.
Que seja assim!!

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Cabo de transmissão



Ela é minha energia.
A tomada de 220 essencial.
Um cabo de transmissão sensorial via olhar.
Daqueles que nos ligam, que passam pela gente de forma visceral.
Que vem na hora da fome pra nos alimentar.

Ela é minha energia.
A extensão de um sentimento interligado.
Nos fios de seus cabelos perco a minha mão.
Um poste de esquina iluminado.
Clareia o meu viver com o ardor desse pulmão.

domingo, 25 de maio de 2014

Latrocínio



Sois como o assaltante, que discretamente surge pra roubar meus pensamentos. E fazes isso com tanta maestria que quando percebo me roubastes o tempo. Na minha distração, vens ligeiro. Tu sois a sombra, que está ali, mas não se nota. Tuas armas são fatais e os teus ataques são fulminantes. Ages com delicadeza e atinges profundamente os teus objetivos. Roubaste-me uma lágrima. E achando pouco roubastes mais! Diamantes escondidos dentro de mim. Toma-os como se te pertencessem. Como se legitimamente tivesses o direito de possuí-los.
Fiquei atônito! Paralisado! Assombrado por tamanha leveza nas mãos.
Eu estava ali, calado, mas perturbado e tu parecias ver em mim a vítima perfeita!
Latrocínio! Morro vivo e me deixas sem minhas preciosidades!

O que eu quero.



Quero, na ponta da língua, o gosto do teu prazer.
Quero na minha boca molhada, deixar o rastro de um desejo no teu corpo.
Quero, no teu olhar inflamado, o pedido de degustação.
Quero, nessa mão ardida, o toque da salvação.

Quero sempre mais um pouco, a tua presença silenciosa.
Quero, no conforto do teu peito, envolver meus braços escorregadios.
Quero a cabeça como um foguete. Invadindo o espaço estrelado.
Quero aquele cheiro inconfundível, dos pares calcinados.

Quero, e as vezes não, ficar arrastando os dedos em arrepios.
Quero, e quero sempre, ver a boca cheia e gulosa.
Quero, nesse momento perfeito, ver tua carne penetrada.
Quero, da forma mais simples possível, apenas querer!